Professor em destaque – Gilberto de Syllos

O contrabaixista Gilberto de Syllos tem mais de 30 anos de estrada. Entre muitos outros trabalhos, atualmente, ele tem se dedicado mais ao Manouche – o primeiro estilo de jazz europeu. Inclusive, o lançamento do CD, Cavaquinho de Itu, será no dia 11 de maio (mais informações no fim da entrevista). Desde 2002 é professor da Faculdade Berklee Souza Lima, em São Paulo, onde é o responsável pelo programa de contrabaixo elétrico e acústico, além de ministrar aulas de história da música, teoria e percepção.

É autor dos livros: “Bateria e Contrabaixo na Música Popular Brasileira”, “Técnicas para Baixo Elétrico na Música Brasileira” e “Baião + Ritmos Nordestinos”, sendo os dois últimos lançados na Europa e Estados Unidos pela editora Advance Music.
Participou do play along “Música Brasileira de Roberto Menescal” e  “Música Brasileira em Métricas Impares”,  lançados pela Editora Souza Lima.

Conte-nos como foi a participação do Seo Manouche no festival de Gypsy na Holanda?
Gilberto de Syllos – Estive em janeiro no Django Festival em Amsterdam, organizado pelo Robin Nolan, acompanhando o violonista Bina Coquet, que toca também com o Seo Manouche. Foi um show inesquecível com uma plateia muito atenta com a nossa interpretação e o tempero brasileiro que levamos ao festival, que contou com grandes nomes do gypsy jazz na Europa.

O Manouche é muito difundido no Brasil? E no mundo?
Gilberto de Syllos – Essa música, a instrumentação e sua maneira de execução é muito nova por aqui. Considerado como o primeiro estilo de jazz europeu, o Manouche ou gypsy jazz se estabeleceu pelas mãos do cigano belga Django Reinhardt na década de 1930. Na Europa, o gênero é conhecido e difundido. Mas não considero tão popular, pois se trata de uma música essencialmente instrumental e praticada pelos ciganos que são os grandes mestres.

Como você começou neste estilo?
Gilberto de Syllos – Meu pontapé inicial se deu por volta de 2003 com o Hot Jazz Club, grupo de Campinas, minha cidade natal, considerado um trabalho pioneiro no país. Tivemos Cds gravados em 2004 – Matisse (com direção do Zuza Homem de Mello), em 2014 – Caravane e em 2016 – Ilumina.

O Seo Manouche começou a despontar a partir de 2013 com a minha mudança para São Paulo e com a experiência de tocar com músicos que desenvolvem esse estilo por aqui. Um elemento importante é que o Seo Manouche traz a canção no seu repertório, seja autoral, adaptações sempre regado com bom humor e virtuosismo. O primeiro CD do Seo Manouche, Já que tá que fique foi lançado em 2015

Os videoclipes deste segundo CD foram gravados em diversos locais do centro de São Paulo. As situações vividas nas cenas foram inspiradas na rotina dos contrabaixistas? 
Gilberto de Syllos – O videoclipe Cavaquinho de Itu relata as agruras e situações inusitadas de um contrabaixista e foi gravado no viaduto Sta Efigênia, na Av. Paulista e passagens pelo Metrô e Masp. Foi minha parceria com o letrista Carlos Castelo. A frase que considero mais contundente é “E ouvir os outros te chamando de violoncelo ou cavaquinho de Itu”. Todos os baixistas do mundo já tiveram seus instrumentos chamados de violoncelo e, possivelmente, eu fui um dos poucos provavelmente que um dia chamaram de cavaquinho, talvez pelo fato de ter o mesmo número de cordas. Não consegui me ater e mandei essa: “sim é um cavaquinho, de Itu” brincando com a cidade que ficou famosa por ser uma cidade com objetos exageradamente grandes.

Conte-nos sobre este novo CD.
Gilberto de Syllos – O CD começou a partir de um encontro com o letrista e publicitário Carlos Castelo.

Conheci o Castelo em função do primeiro disco que lancei em 2015, intitulado ja que tá que fique. Ele gostou muito do trabalho e da versão que criei para o hino do XV de Piracicaba e já no nosso primeiro encontro,  me fez um convite para experimentarmos uma parceria. O resultado foi que em 72 horas já tínhamos preparado três canções, tudo pelo WhatsApp. Não tinha como ser diferente: mandei mensagens para o universo pedindo um letrista e me foi enviado o melhor para o Seo Manouche, pois o Castelo captou toda a essência do personagem e do meu interesse como artista e performer.

Definitivamente o manouche está caminhando por aqui e não produz somente a pegada norteada por Django Reinhardt. É o próprio conceito de antropofagia proposto pelos modernistas pois colocamos no mesmo prato Django, Alvarenga e Ranchinho e Noel; mexemos e deglutimos. A síntese é o nosso CD Cavaquinho de Itu que já se encontra nas plataformas digitais e no formato físico.

O lançamento oficial está marcado para o dia 11/05 no Jazz nos Fundos e lembrando que os estudantes de música tem desconto. Quero ver os alunos do Souza Lima em peso nesse dia!

Quais são seus projetos para 2017? 
Gilberto de Syllos – Emplacar o Seo Manouche! De quebra convidar a todos os que estão lendo essa matéria a conhecer e se inscrever nos nossos canais. Assistam aos nossos videoclipes e acompanhem nossa agenda de shows. Abraço e obrigado a todos!

www.youtube.com/seomanouche
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twitter.com/seomanouche
instagram.com/seomanouche/

Serviço

Seo Manouche lança CD de Cavaquinho de Itu
Quando: 11 de maio
Horário: 23h30
Local: Jazz Nos Fundos
Endereço: Rua Cardeal Arcoverde, 742 – Pinheiros
Cidade: São Paulo/SP
Ingressos: R$ 25 (antecipado) e R$ 35 (porta)
Informações: (11) 9.9773-7997
Site: jazznosfundos.net

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