Bruna Caram lança CD Multialma

Bruna Caram - Divulgação

Bruna Caram lança seu quarto disco, chamado Multialma, com músicas com influências muito brasileiras e parcerias incríveis, que fazem parte de sua história, como Zeca Baleiro, Chico César, Paulo Novaes, Pedro Luís, Otávio Toledo, Roberta Sá e Duda Brack.

Quais foram as principais influências musicais para criar o Multialma?
Bruna Caram – A principal influência, meu totem na criação do “Multialma”, foi a Elba Ramalho, pela condição de cantatriz, que ela também tem, como eu. Por ser uma rainha da música brasileira e nordestina, e que tem essa identificação enorme com o que é brasileiro de raiz, eu queria que esse fosse o mais brasileiro dos meus discos e a referência da Elba veio muito naturalmente e me seguiu ao longo de toda a produção. O próprio Chico César é uma outra referência muito forte e o Antonio Nóbrega, e os dois são participações do disco e isso é muito lindo pra mim. O Chico César tem um lance nas composições dele que sempre têm letras com bom humor, com uma leveza, umas sacadas, e isso me influencia muito.

Como foi a escolha das músicas para compor o CD?
Bruna Caram – A escolha das músicas, como já fazia alguns anos que eu havia lançado o disco anterior, e eu tinha lançado um livro no meio do caminho, foram surgindo novos parceiros e, quando entrei em estúdio só sabia que queria gravar algumas canções com Duda Brack, Roberta Sá e Chico César e, eu não sabia, até então, que iria fazer um disco autoral ainda. Mas eu não estava com vontade de procurar compositores amigos para mandar músicas e achei um sinal forte e uma coisa engraçada, porque sempre amei essa função de garimpar canções com compositores amigos. Porém, dessa vez eu não tive vontade e fui postergando esse momento e, ao invés disso, fui levando canções minhas pro estúdio e canções de compositores consagrados, que acabaram caindo quando eu fiz uma reunião com meus empresários e produtor, pra gente ouvir o que estávamos gravando de guia. E, no fim, foi minha empresária que sugeriu deixarmos mais músicas minhas e não fazermos composições de outros compositores que eu gostava e eu só não consegui tirar do repertório a canção do Dominguinhos, que tem tudo a ver com a fase que estou vivendo, com estar tocando sanfona, com querer o disco brasileiríssimo e querer um pé no nordeste porque tenho alma pernambucana, sou fã do Carnaval e da festa de rua. Então, acho que ficou um retrato muito fiel do que eu sou, um disco autoral pela primeira vez, e ter como exceção justamente Dominguinhos, um sanfoneiro melodista maravilhoso.

As músicas foram feitas para este trabalho?
Bruna Caram – As músicas não foram feitas para esse trabalho, não. Algumas vinham de alguns anos atrás, mas eu ainda não tinha gravado e “Abrigo” era uma canção só minha que não tive coragem de mostrar pra ninguém [risos] e demorei pra levar para o estúdio. A faixa com o Chico César eu compus e já tinha outra parceria com ele, mas um dia, voltando pra casa, eu comecei a escrever o poema de “Par”, mandei pra ele e, no mesmo dia, me respondeu já cantando a música e passamos um fim de semana fazendo, mas não tinha pretensão de entrar no disco. Tudo foi pra fazer música, pra ser feliz. Com a Roberta Sá, compusemos a música na mesa de um bar, há anos e eu reservei-a para o momento em que fomos para o estúdio. E o Zeca Baleiro, meu amado, produziu a faixa “Quase No Fim”, e quando acabamos a produção ele me perguntou: “o repertório já está fechado?”, eu disse que até estava, mas ele disse que queria fazer uma comigo. Assim, pintou tão genuinamente um parceiro que eu tanto admiro, que quis se aproximar. Cada parceria tem esse toque de espontaneidade, o Paulinho Novaes é meu maior parceiro desde sempre, que seria impossível ter um disco sem uma canção dele e apenas “Vou Pra Rua”, foi a última música que eu compus e eu realmente compus logo pra gravar no disco e fechar o repertório. Esse tema do feminismo veio muito naturalmente, de repente e arrebatadoramente, e a canção foi parida muito rápido.

Como foram as escolhas das parcerias nas faixas?
Bruna Caram – Como eu disse, todos os parceiros que tem no disco são todos grandes amigos que eu amo muito e de quem eu nunca fui bater na porta pedindo para fazer música junto. O disco, em todos os sentidos, é um retrato meu, do que eu sou, do som que eu quero fazer, das minhas influências e dos meus amigos.

Conte-nos seus projetos para 2017.
Bruna Caram – Por último, 2017 vai ser o ano da minha vida, o primeiro dos melhores anos, tendo aí esse disco que acabou de nascer, que estamos ensaiando os shows que estou muito, muito feliz mesmo. Começando a turnê e a minissérie “Dois Irmãos”, que será lançada em breve na TV Globo, que é uma coisa que faz meu coração disparar só de imaginar, eu não assisti nada da série, apenas um capítulo que já foi reeditado. Então, estou muito ansiosa e feliz, escrevendo meu próximo livro, porque quero que o “Pequena Poesia Passional” seja uma trilogia e o meu sonho é trabalhar com o cinema pernambucano. Eu gostaria muito de entrar nesse meio que tem um cinema tão rico e eu acho que a experiência com Luis Fernando Carvalho é muito mais próxima até do cinema do que da TV, então, eu espero que surjam convites que, se surgirem e forem bonitos, eu vou aceitar muito felizmente. Vamos gastar muita estrada em 2017, com certeza, estou muito, muito feliz!

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